Rabdo quê???

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São raros os casos mas eles existem. A rabdomiólise existe no CrossFit assim como existe em outras modalidades mas existe de facto uma vontade por parte daqueles descrentes na modalidade em associar aquilo que se faz dentro das boxes às ocorrências de rabdomiólise como se fosse uma consequência natural daquilo que fazemos. Há portanto que se clarificar algumas coisas .

O que é?

A rabdomiólise acontece quando o tecido muscular sofre lesões e aquilo que está no seu interior vai para a corrente sanguínea.
O potássio será particularmente perigoso em altos níveis e pode causar alterações na função cardíaca e eventualmente a morte do paciente.
Em situações normais os rins conseguiriam filtrar o potássio extra da corrente sanguínea, mas juntamente com esse potássio é libertada também mioglobina, que é particularmente tóxica para os rins. Os estragos causados pela mioglobina nos rins podem ser permanentes e o paciente pode precisar de hemodiálise para o resto da vida: um dos sintomas mais conhecidos da rabdomiólise é a urina do paciente ter uma cor preta, quase como se fosse coca-cola.
O sódio e o cálcio também vão para a corrente sanguínea causando por vezes a síndrome compartimental, caracterizada por um grande inchaço da zona da lesão, aonde a pressão pode ser extrema e fatal.

O que causa a rabdomiólise?

As contrações excêntricas, aonde o músculo contrai enquanto está a alongar parecem ser mais susceptíveis de lesionar o tecido muscular de maneira a fazer o seu conteúdo sair para a corrente sanguínea. São bons exemplos desse tipo de movimento os kettlebell swings, os abdominais no GHD (glute-ham developper ou cadeira romana), mas essencialmente toda contração concêntrica tem uma contração excêntrica associada. O consumo de álcool também parece ter uma influência no aparecimento da rabdomiólise, assim como o calor.

E agora?

Por muito que se fale na rabdomiólise há que ter em conta que ela é muito mais comum em ultramaratonistas e triatletas do que em CrossFiters (os coachs de CrossFit têm formação para conhecer a rabdomiólise, seus sintomas e o que fazer caso aconteça). Mas enquanto houver uma possibilidade de ocorrência, é importante sermos conhecedores do que se trata. Os indivíduos que parecem correr mais risco de rabdomiólise são aqueles que já estiveram em grande forma física (antigos desportistas de competição ou militares) e que pararam durante algum tempo com a atividade física. Os atletas muito ativos parecem não ter grandes riscos e quem está fora de forma e está a começar não parece ter a capacidade para lesionar os músculos de maneira a terem rabdomiólise.
É importante uma hidratação constante pois a água vai ajudar a retirar da corrente sanguínea o potássio em excesso. Ter cuidado com a atividade física de alta intensidade em condições de calor extremas (muitos casos de rabdomiólise conhecidos em atletas de corrida no Grand Canyon, por exemplo) e estar sempre atento aos sintomas: urina com cor muito escura e dor muscular prolongada e insuportável, além do inchaço de alguns segmentos do corpo. Ao sentir esses sintomas, é necessário procurar as urgências médicas imediatamente.

Concluindo

A intensidade deve ser introduzida gradualmente, mesmo que o atleta em questão diga que consegue e que não quer parar, nas primeiras sessões o coach deve reduzir a intensidade e deixar assim. Após uma fase de adaptação em que os atletas avaliam a sua recuperação (lidam melhor com as dores do dia seguinte e conseguem sentir-se bem para treinar dias seguidos) o coach pode aumentar a intensidade do treino. Tudo tem o seu tempo e enquanto estivermos a progredir, estamos no bom caminho. Enquanto se respeitar os princípios do treino, os riscos são muito reduzidos. Todos os desportos têm o risco de rabdomiólise associado, principalmente os de competição e o CrossFit não é uma exceção. O que é certo é que um treino sem intensidade é um treino que não te faz progredir e evoluir, portanto ineficaz.

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