O Mito da gordura e das doenças do coração

“Para cada problema complicado, existe uma solução simples, direta, compreensível e ERRADA.”
HL Mencken

Quando eu era criança, acreditava que as coisas tinham que ter um sentido, que os responsáveis não deixariam que coisas erradas fossem ditas, que erros passassem como verdade e que os interesses não influenciariam as decisões dos grandes.

Ah! A inocência!

Se de erros foi feita a ciência, com descobertas por engano, “verdades universais” que levaram pessoas à fogueira (o sol gira em torno da Terra e quem se atrever a dizer o contrário…), é preciso compreender o erro como parte do processo e admitir a constante possibilidade de ver as teorias serem questionadas.
Agora a questão dos interesses fazem-me sentir como se eu estivesse num filme de ação, com super vilões e nenhum super-herói. E não admitir um erro por interesses financeiros , principalmente um que influencia a saúde de milhões de pessoas, parece-me exagerado. Um caso forte é o do mito dos gorduras e das doenças do coração.
Bem, antes de desenvolver mais este assunto, sugiro que leiam o meu ultimo artigo: Coisas que devíamos saber sobre a gordura. Lá tenho a base dos argumentos que aqui vou expôr.

O início

Tudo começou com Ancel Keys e a sua falsa descoberta de que a gordura era a causadora das doenças cardíacas. Sem brincadeiras: a não ser o Estudo das Sete Nações , não existem estudos que sustentem a teoria da gordura causar problemas do coração. (É verdade, procurem). E eu já falei dos erros ou fraudes cometidas nesse estudo.

Uma história sobre a gordura e o leite

A partir daqui surgiu não só o medo da gordura como uma fusão da ideia de gordura e colesterol, o que é muito estranho. Qual é a ligação entre gorduras e colesterol? É verdade que alimentos com colesterol tendem a ter gorduras, especificamente saturada, porque ambos são normalmente de origem animal. Mas a relação acaba aqui. Por alguma razão os dois conceitos ficaram misturados e já não se sabe quando falamos de gorduras ou de colesterol. A confusão fica clara em afirmações como esta de uma organização governamental norte americana:

O colesterol na dieta vem de fontes animais como as gemas de ovos, carne (especialmente órgãos como o fígado), aves, peixes e leite gordo. Muitos desses alimentos também são ricos em gorduras saturadas. Escolher alimentos com menos colesterol e gorduras saturadas ajuda a diminuir o colesterol sanguíneo.
(http://www.nal.usda.gov/fnic/dga/dga95/lowfat.html)

E assim num pequeno parágrafo se misturam conceitos sem explicação nenhuma.

A partir desse medo do colesterol foram criadas drogas para baixar o mesmo. As mais conhecidas são as Estatinas, que têm efeitos secundários conhecidos e admitidos, entre eles a má formação de bebés em pacientes grávidas e a morte.
Pesquisar o trabalho de Malcolm Kendrick ajuda a perceber os contornos dessa situação. Mas há quem fale sobre isso em território nacional. O jornal O Público publicou em julho de 2015 um artigo do Dr. Manuel Pinto Coelho com informação que vai contra aquela passada pela maioria dos nutricionistas e médicos, seguindo as informações que a ciência tem vindo a confirmar.

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-mito-do-colesterol-1703151

Pensar de outra forma

Hoje já se sabe que 75% das pessoas que têm ataques cardíacos têm níveis normais de colesterol. A placa ateromatosa que diminui o diâmetro das artérias é formada por células do tecido da própria artéria, cálcio, ferro e colesterol, sendo este a menor parte. Pensa-se que ele servirá como curativo para reparar o desgaste feito pela inflamação, essa sim a causadora da arteriosclerose.
Pense desta maneira:
– há vários incêndios pela cidade;
– quando vamos aos locais do incêndio, há sempre bombeiros por perto;
– logo, os bombeiros são os causadores do incêndio!
Esta lógica da batata é simples, fácil de entender e errada. Assim como a do colesterol. E se o colesterol nos protege, baixar os seus níveis não parece uma boa ideia, seria como ter uma cidade sem bombeiros.

Dados e a falta deles

Em 1988, o Surgeon General’s Office nos Estados Unidos decidiu reunir todas as evidências que ligam a gordura saturada (ou outra qualquer, já agora) às doenças do coração. Depois disso…silêncio. Nada. Onze anos depois o projeto acabou. Numa carta afirmaram que não tinham previsto a magnitude da expertise adicional e recursos necessários. A sério? Parece tão certo que a gordura causa problemas cardíacos e onze anos depois não conseguiram reunir nada?
Um dos responsáveis comentou: “o estudo começou com uma opinião pré-concebida das conclusões mas a ciência por trás dessas opiniões simplesmente não suportava a tese”. O facto é que toda a ciência por trás dessa teoria da gordura-doenças do coração é muito fraca e cheia de falhas. É interessante ler o trabalho de Gary Taubes “The soft science of dietary fat”.

http://garytaubes.com/wp-content/uploads/2011/08/Science-The-soft-science-of-dietary-fat.pdf

Para concluir, apresento alguns dados sobre as diferenças na dieta dos japoneses nos últimos anos. Entre 1958 e 1999 os japoneses diminuíram os hidratos de carbono ingeridos (de 84% para 62% da dieta), aumentando o consumo de proteínas (de 11% para 18%) e gordura (de 5% para 20%). O interessante é que não só a mortalidade diminuiu como a taxa de ataques cardíacos na população também diminuiu drasticamente.

Será este outro paradoxo ou é o paradigma que está errado?

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